2005-11-07

MERCEARIA



MERCEARIA

Fui medir o amor,

E a primeira parcela

Foi de bruços para o céu.

Era um palmo entre nuvens,

Era um palmo entre nós,


Entre os olhos e os olhos,

Entre a boca e a boca,


Mas à noite vi estrelas

Sobrepostas ou perto

De ficarem sem longe;


Ora vistas as peles

Era a mesma medida,

E pensando melhor,

De manhã, mas mais tarde,

Foi-se o palmo e ficou

A distância de um beijo

Que era nada, afinal,

Como o longe das estrelas.


Mas porém noutro ponto

Volta o palmo medido

Entre a lua e o sorriso

De qualquer elemento.


Ora bom, vendo bem,

Se pesarmos o amor,

as estrelas, as luas,

Ou até o tal céu

E as nuvens por junto,

Fica a mesma leveza,

Que outra vez vai por nada

Nas parcelas dos corpos.


Fui medir o amor,

E o senhor merceeiro

Disse “levas fiado,

Mas não voltes por cá

Sem o tempo pesado”


Eu fiquei-me na minha,

Que amor é sem tempo,

É sem espaço, sem peso,

Meça-o lá cada um


Para dentro de si.


Pedro Guilherme-Moreira

2005-11-05

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