2005-10-29

Não Cresças Hoje


NÃO CRESÇAS HOJE


A tua ausência normal


Parte-me o corpo em dois

Despe-me o tempo em três

Rompe-me a alma em mil


Tira-me um braço

Perna

Um arco que o peito faça

A linha recta do ódio


Traça-me tantas vezes

A pele de vãos

Escadas e chãos

Entradas, Mãos

Que faltam



Deixas-me o cheiro

E a noite é agora

Está a começar

E tu não estás

E eu volto abaixo

Quedo no fundo

O chão que temo

E eu já não sou

Ninguém sem ti


Tu tens seis anos

E eu vezes seis

Foste dormir

Fora de casa

E eu não sei ler

O firmamento

Sem ti ao lado



Dá-me um momento

Não uma noite

Dá-me um bocado

Não um pedaço


Está por aí

O egoísmo, o pai

Voraz, a equação

De um ser humano


Que é xis mais um igual a outro?


Mas hoje não!


Quero que sejas mais um pouquinho

Subcutâneo



Pedro Guilherme-Moreira

2005-10-29

1 comentário:

Menina_marota disse...

"...Tu tens seis anos E eu vezes seis Foste dormir Fora de casa E eu não sei ler O firmamento Sem ti ao lado

Dá-me um momento Não uma noite Dá-me um bocado Não um pedaço..."

A presença é a melhor razão da existência...

Estou de visita...e, sorrio... o Mundo é bem pequeno... Tão longe e tão perto... ;)

Um abraço ;)