2005-05-23

Queridos Benfiquistas (de um portista:)



Dizia eu para o Forlegis, a lista de discussão jurídica acarinhada pela Ordem dos Advogados, um minuto após o apito final do Boavista-Benfica, que o SLB e os benfiquistas estavam todos de parabéns, mas o servidor da OA, reconhecidamente Sportinguista, não deixou passar o desportivismo:)))!

Dizia também, conforme foto junta, que aqui em casa se tinha vivido uma tarde de grande desportivismo (uma mensagem essencial para o mais jovem membro, que, tendo tomado uma opção consciente pelo FCP, passou a tarde com mimos à mãe benfiquista), com a senhora da casa a levar a melhor e a fazer a festa, e os Guilhermes, o pequenito e o grande, conformados na varanda sobre a Rotunda de Santo Ovídio, a ver a enorme festa vermelha.

Só ontem me apercebi que, nestes onze anos, o FCP havia ganho oito vezes, o que realmente devia enjoar e entristecer os benfiquistas, e não deixa de ser desesperante que este ano tenham lutado, mesmo com o pobre ano que tiveram, até ao minuto 90 do jogo do Dragão. Mas assim sabe melhor, não é meus queridos lampiões? Também no desporto a alternância se saúda, e é isto que um portista conformado, acima de tudo desportista, leva de bom da noite “desesperadamente vermelha” de ontem.


Claro que não é possível ou sequer saudável que, mesmo aqueles que, como eu, gostam de tratar este fenómeno da forma que ele merece, tenham a altivez de desprezar a manifestação de força e beleza da nação e do mundo benfiquista, que é também um mundo português.

Ontem viu-se que ainda são, realmente, os seis milhões que apregoam, e devo realçar, acima de tudo, a festa positiva, que nunca foi contra ninguém.

Ao contrário da triste cena dos aliados, que se encheram de arruaceiros prontos a manchar, conscientemente, o nome do clube e da cidade, ao ocupar uma das suas principais salas de visita.

Obviamente que as poucas centenas que ontem vimos não se podem confundir com aqueles que são verdadeiros adeptos azuis e brancos, e muito menos com os tripeiros (como aquele célebre cachecol “anti-tripeiros” costuma fazer). Sabemos que estes tarados existem em qualquer clube, e também sabemos que as direcções dos clubes acabam por consentir estes palhaços, potenciais criminosos, quando era fácil tê-los bem elencados e registados, expulsando-os liminarmente de sócios quando constassem de qualquer relatório policial, que seria cruzado regularmente com as bases de dados dos clubes.

Mas isto era se eles quisessem. E não querem.

Também ao contrário do que muitos benfiquistas podem pensar, a grande festa que o Benfica viveu na cidade do Porto foi para mim, como nado e criado na Invicta, uma verdadeira honra, confirmando aquilo que muitas vezes digo, e poucas vezes posso demonstrar: que o Benfica é pelo menos o segundo clube do Porto, em número de adeptos - e, se para mim fará mais sentido cultivar, de forma positiva, os símbolos das nossas terras, percebo que toda esta grande massa de adeptos nasceu, aqui no Norte, quando Benfica rimava com Portugal.

Claro que esse monolitismo, essa veneração a uma só nota, um pouco como a do Porto nas últimas duas décadas, não é muito boa, mas a verdade é que aconteceu, e é uma realidade que tem de se aceitar.

E se ontem me custou bastante não poder festejar, nunca me custa ver a festa dos outros.

E hoje, passada a desilusão, estou feliz pelos muitos amigos que tenho no Benfica, e que há onze anos não se podiam “alienar” desta forma.

Hoje é para vós um dia encantado. Gozai-o bem!

Amanhã, regressa este Portugal acidentado, mas disso não vamos falar hoje?!

Viva então o Benfica!

Abraços azuis e brancos do

Pedro Guilherme-Moreira

PS: Uma palavra de apreço também para os sportinguistas, para quem a hora é de extrema dureza; E ânimo para os meus comparsas - neste ano terrível no Dragão, discutir o título até ao último minuto, e ainda levar um título nacional e outro internacional, apesar dos grandes erros que se cometeram e das lições que se devem aprender, é sem dúvida de um grande clube com boa gente - e falo dos adeptos, mais ninguém.

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