2004-11-26

NATÁLIA RECORDADA

Foi há muito tempo, mas parece que foi hoje, Natália.Um beijo azul.


CASTELO DE AREIA
(à Natália, a anónima, e a todos os passageiros vencidos da droga)


Se cavalguei por tempos
Com a cadência pedestre
De um peão adormecido
À sombra dos Mal me Queres,
Vi lesta tua montada,
Um potro alado em azul
De sorriso flutuante
E traços de sublimar.

Certa noite, pardos uivos,
Fugiste nua ao bosque
Que sabias sem finito;
Mas foi impulso bem negro,
Feita heroína das pedras,
Que te afundou no arvoredo
Que a lenda diz feito d´homens
Loucos de morte em segredo.

Ah, mas as coisas não se dizem
Em missivas perfuradas
Por um abismo de luz!

É uma merda pungente,
É uma raiva dormente!
Esquecido o entardecer,
Madrugada foste chuva...

E tu, Orvalho,
Já gelado à vez da noite,
Escorreste, em vendo o sol,
Pelas pétalas cinzentas
Dessa manhã tardia.

Nessa manhã, bem cedo,
E mais tarde do que nunca,

Perdeste.

Canalha amor que te fez
De areia,
Doce castelo.

Pedro Guilherme-Moreira
no dia da morte da minha amiga Natália;

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