2004-10-19

IDANHA


toda a Idanha está

calada na terra
no rochedo sagrado
no lago benzido
na erva amarela
erguida

nos braços

toda a Idanha é corpo
comum,
rosmaninho

caminho
a nascer dos pés

se chego,
sou
se parto, fico,

não sei se se reza,
se se chora,
se se escreve ou se se diz,
mas sei cá que estou inteiro,
plano,

e por ser plano ouço
a cova na madrugada,
o equilíbrio raso
do nada
que é aprumado sem prumo
em ângulo recto
com todo o resto
do chão.


Pedro Guilherme-Moreira
11 de Outubro de 2004,
por uma Idanha descoberta quase à nascença, primeiro na raia de Monfortinho, depois na barragem Marechal Carmona, num certo bungalow de um certo parque de uma certa albufeira

1 comentário:

Patricia Lousinha disse...

"Cheira diferente do mundo..."
É basicamente o mesmo que sinto quando vou para Aveiro.
Compreendo, portanto.
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