2004-07-15

A PARVA ÉPOCA

Na panela da minha reflexão junto:

- O já costumeiro e sazonal jogo de ténis de mesa entre o Bastonário da Ordem dos Advogados, que é meu, e o Conselheiro Noronha do Nascimento (C.N.N., vejam só!), que não é, não por ser juiz (que esses são quase todos meus), mas por aparentar mesquinhez e infantilidade (características que não posso confirmar, por não ter uma correcta capacidade de avaliação - afinal, sou um reles advogado de primeira instância!), como a época que ora começa;
- O facto de eu já ter gozado duas semanas de férias;
- O facto de a maioria das pessoas não terem gozado nem uma semana férias;

Com estes mágicos ingredientes, pretendo reflectir de forma supersónica sobre a Parva Época, marcada todos os anos para começar a 15 de Julho e acabar a 15 de Setembro.

Constato, dado o artigo do C.N.N. no Público de anteontem (o tal da pirotecnia), que a Parva Época começou mais cedo.

E a verdade é que, depois de ler o artigo do C.N.N., pensei cá para mim (pensamento íntimo que vou revelar excepcionalmente):

" - Não é que eu me estou positivamente c... (palavra que começa em c, e acaba em "agando") para o que o ilustríssimo Conselheiro aqui escreve?"

E esta reacção não é me é muito comum.

Tive então de reflectir.

Fui assaltado subitamente por esta reacção íntima porque não quero saber das queixinhas de um homem crescido, nem dos temas abordados de forma superficial (o defensor público, a formação comum no Foro, etc, etc) pela mesma pessoa, ou ainda estou demasiado bronzeado para me preocupar com isso?

E foi aí que me surgiu a luz.

Ao contrário do que por aí se pensa e diz, a Época que hoje começa não é parva porque o povo, em gozo de férias, só quer pensar em futilidades e esquecer as coisas sérias.

Não.

A Época é parva porque as pessoas já estão cansadas e afectadas, e dão importância ao que não tem.

E sei-o com total segurança e absoluta certeza porque eu, tendo-me refrescado antes da Parva Época, chego ao burgo fresco e lúcido (ora bota aí imodéstia para cima!:), insensível à maioria das tricas - perfeitamente banais.

Ora, esta é uma delas, e o que eu espero, e espero sinceramente, é que o meu Bastonário tenha tido um pensamento íntimo muito parecido com o meu. E que não leve o jogo de ténis de mesa mais longe, pois, como sabe, este acabou aos 21.

Doutras tricas banais, darei eu conta em próximas mensagens.

Vão mas é de férias.

Puxa!

Pedro Guilherme-Moreira

1 comentário:

Krica disse...

Caro PGM,
Não deixa de me surpreender! A beleza e conteúdo dos seus textos comoveram-me e tocaram-me, quando já há muito tempo outra leitura não o fazia (excepto o último livro da Juliet Marillier, «Máscara de Raposa», que terminei hoje mesmo...). Parabéns e obrigada por me fazer conhecê-lo...
Jinhos
Cristina Velha