2004-05-18

VERBO JOEL

Em Coimbra, os livros dos mestres transpiravam das sebentas que o Joel construia com aquela fúria de saber e querer saber, e querer dar a saber.

A minha memória repousa sempre nos dias transcritos e lidos, longos dias desfolhados sobre a cama do quarto dos Olivais, ou sobre a mesa da pastelaria, ou encostado à janela do quarto andar do céu, já na baixa, no último ano.

Dias em que sobre tudo espalhava as folhas do Joel.

E trazia sempre entalados na pasta académica os pedaços das sebentas do Joel.

Mesmo quando ganhei juízo, e ninguém me via lá por cima, porque queria acabar o curso, escondia-me no primeiro-meio-andar do Internacional (que assassinaram, juntamente com o Mandarim, e com eles tantas memórias açucaradas desses anos) com as sebentas do Joel.

O Joel era um nome quase vago, uma espécie de imagem esbatida do colega real, e esbatida porque quase supra-terrena.

Todos guardavam o Joel na palma da mão, e sentiam no coração um agradecimento pouco contido a um hiper-homem.

E nós nem sempre os percebemos bem.

Imaginávamos essa entidade descolada do chão, produzindo e reproduzindo todo um curso de direito em páginas infinitas.

Mas o Joel não parou, e fez-se Verbo.

Jurídico.

Ponto Net.

E não pararará nunca. Por todos.

E nós já temos a obrigação de não parar, por ele.


Pedro Guilherme-Moreira

PS: Por causa dos sete anos do exemplar www.verbojuridico.net , mas, principalmente, por causa do Joel;

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