2003-08-05

FILHO

FILHO

A mão dele ainda cabe aberta
Na minha mão fechada.

No dia em que não couber,
vou em busca do abraço
que encerre em mim uma volta.


Os olhos dele ainda brilham
nas frestas do olhar do pai.

No dia em que não brilharem,
buscarei em mim o véu
que lhe devolva o horizonte.


E os seus ouvidos vibram,
desaguando os meus passos.

No dia em que não vibrarem,
vou em busca do silêncio
que me deixe ouvir os seus.


Enfim, um dia, o meu filho,
não vai querer um beijo meu
à porta da sua escola.


Nesse dia, a ternura
que docemente traduz
a violência pura
do amor,
vai sentar-se na mão,


a mesma mão
que em si lhe fechava a sua,
e descansar
sobre o seu ombro,
calada.


Se ao menos nesse dia ele deixasse
fechar sobre si o abraço...


Pedro Guilherme-Moreira
2003-07-30

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