2003-07-21

Ignoramos todos os dias

Ignoramos todos os dias.

Ignoramos mais do que somos ignorantes. Contudo a todos nós repudiaria sermos militantes do ignorantismo ( até ao computador que a sublinha, a palavra, porque errada). Ignoramos por medo, pressa, pudor, vergonha. Ignorar é um acto de vontade : ignoramos porque queremos, raramente por distracção.
A distância de um ecran , que nos mostra sempre o lado de lá, o relato de alguém, de quem podemos sempre duvidar, vá que não vá! O pior é quando as coisas, as situações vaporizam o nosso campo magnético, nos invadem o olfacto, ignoram os óculos de sol, nos secam a boca de tanto contermos o ar. Aqui não há querer que nos valha e a distracção já ficou lá para trás.
Previne-me um qualquer sentido que um qualquer outro pode entrar em acção e eu suspeito ser a visão que de água a mais pode perder a clareza necessária para dar a volta ao texto. Resta-me apenas tempo para dizer que tudo o que fica dito também assiste a coisas e situações benéficas e pedir emprestado às feitas : "Bem aventurados os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus."
Fica a promessa de um outro desfecho.
ANABELA ALMEIDA RODRIGUES, 2003-07-08

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